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Para que criamos estratégias digitais no jornalismo?

Para conseguir mais likes, shares e cliques (e ganhar rios de dinheiro). Certo? Não, não somente. Quem desenha estratégias digitais para o jornalismo deveria querer um pouquinho mais que isso. Como ter o compromisso de fazer circular pela rede conteúdos e serviços relevantes (e dignos) para a sociedade. Como diz  Carlos Chaparro, o jornalismo lida com a transformação da realidade — portanto, quaisquer estratégias de visibilidade deveriam considerar tal condição.

Para saber mais: Jonathan Colman explica aqui a diferença entre estratégia de conteúdo e estratégia de marketing (além de fornecer uma robusta bibliografia sobre o tema). Paul Bradshaw fala um pouco sobre como construir estratégias online para o jornalismo neste texto aqui. Também trato do assunto na minha tese doutoral, ressaltando que o desenho das estratégias de conteúdo precisa passar pelo bom entendimento de várias disciplinas, entre elas: experiência do usuário (UX), arquitetura de informação pervasiva (ubíqua), lógica computacional e consumo informativo em redes sociais.

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O desktop é o novo impresso

A chefe de operações no Financial Times, Lisa MacLeod, destacou aqui que o produto jornalístico que a Redação constrói para ser acessado via tela do computador de mesa é o novo jornal impresso (“desktop is becoming the new print”). No caso do FT, mais de 60% dos assinantes chegam ao jornal pelo celular, disse ela. No Brasil, o cenário não deve ser muito diferente, já que o celular se tornou o principal meio de acesso à internet no país (segundo um estudo realizado pela F/Nazca em parceria com o Datafolha, agora em 2014). Vale ressaltar que a leitura de jornais diariamente é hábito de apenas 6% dos brasileiros – como aponta a Pesquisa Brasileira de Mídia 2014.

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O fluxo de trabalho jornalístico em O GLOBO

O Globo / Leo Martins

O Globo / Leo Martins

O jornal O GLOBO relata aqui que adotou um modo diferente de produzir conteúdo. O novo modelo de funcionamento chama-se edição contínua e a mim me parece um workflow bem próximo ao que chamaríamos de um processo pós-industrial de produção de notícias, ou seja, um processo incremental (escrevi sobre o jornalismo pós-industrial na introdução da minha tese de doutorado, caso alguém tenha interesse em saber mais).

Vale o registro :

— Os editores começam a dar expediente às 7h da manhã, com foco nos conteúdos online e também um mapeamento dos assuntos que, durante o dia, têm potencial para atrair o leitor das outras plataformas (antes, os editores chegavam à redação no começo da tarde e seu foco era a edição impressa).

— O trabalho diário é organizado a partir de três reuniões:  às 8h, um encontro com enfoque nas plataformas digitais (aqui, os editores definem os temas do dia e as apostas da web, decidem as atualizações de manhã e como elas serão distribuídas em suas equipes); ao meio-dia,  os editores analisam o andamento da produção e os temas principais da edição impressa; e às 16h é quando o jornal de papel começa a ganha uma cara: os editores propõem quais são os destaques de suas áreas e os editores-executivos elaboram a primeira página, a partir de mais uma reunião. É nela também que se define como será a homepage do site às 6h do dia seguinte.

 

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Perguntas embaraçosas para quem trabalha com jornalismo digital

O vice-presidente sênior de estratégia da News Corp, Raju Narisetti, listou aqui 25 perguntas bastante delicadas que deveriam ser feitas anualmente a quem hoje trabalha em uma Redação online (editores, repórteres, diretores, gestores). São questionamentos que supostamente ajudariam a guiar o processo de disrupção e inovação no jornalismo digital.

Agrupei essas 25 perguntas por afinidade, depois expurguei algumas e, por fim, cheguei numa listinha menor com 5 questionamentos-chave que julgo serem os mais importantes no contexto brasileiro. Ninguém precisa publicamente respondê-las, naturalmente. É uma forma de fomentar uma reflexão sobre como estamos conduzindo nossos projetos jornalísticos. Vejamos:

  1. MOBILE. Quantos profissionais da sua equipe estão dedicados a produzir para mobile e/ou criar serviços e novos produtos para celulares? A propósito, qual porcentagem de seu público acessa a sua marca jornalística via smartphone e qual era esse número há um ano?
  2. PROGRAMADORES NA REDAÇÃO. Aproximadamente quantos desenvolvedores (front-end e back-end) existem trabalhando hoje na sua Redação? Quem coordena eles?
  3. CONTEÚDO E AUDIÊNCIA. Quantos usuários chegam  – e vão embora – em seu site entre cinco e dez da manhã? Que horas é a sua primeira reunião de pauta? Para Redações que empacotam impressão + assinaturas digitais, qual a porcentagem de assinantes de impressão são registrados no site ou aplicativo da marca? Você os conhece (padrão de comportamento online)?
  4. EQUIPE. Você consegue listar as cinco mais importantes medidas de desempenho (formal e previamente já escritas) usadas para avaliar a sua Redação anualmente? O que é para você uma equipe jornalística de alta performance?
  5. PUBLICIDADE. Qual porcentagem de sua receita total de publicidade é digital? Desse total, quanto é proveniente de celulares? E quando foi a última vez que sua organização de notícias lançou um formato publicitário inovador que foi vendido mais de cinco vezes para os clientes nos últimos 12 meses?

Será que me esqueci de algo relevante? Fiquem à vontade para me ajudar nessa. :)

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Lições do ISOJ para inovar em jornalismo digital

Eduardo Suarez (@eduardosuarez), correspondente do El Mundo em Nova Iorque, publicou aqui o que ele chamou das “sete lições do ISOJ  para inovar em jornalismo digital”. Segue um resumo com meus breves comentários:

1. conhecer a sua audiência [digo eu: isso significa um mergulho profundo nos dados de acesso, uma capacidade de identificar padrões de navegação, o que (sejamos honestos) nem sempre é tarefa fácil para os jornalistas às voltas com as pautas do dia a dia];

2. a publicidade não é o único caminho [a conclusão dos participantes do congresso: é quase impossível financiar o jornalismo de qualidade somente com anúncios; mas então quais são os outros caminhos?];

3. não deixe de experimentar jamais [na minha visão, isso quer dizer um mindset "Agile", mentalidade ainda a ser construída nas Redações];

4. escolher um nicho [mesmo se for um meio jornalístico generalista, alguns temas merecem um perspectiva vertical, de fato];

5. o fim da televisão [não vejo isso acontecendo no Brasil a curto prazo];

6. a geração milênio [aqui temos um caminho a desbravar, é uma geração na qual eu prestaria a maior atenção];

7. menos notícias e muito mais contexto [sim, sempre, mas estamos a falar disso desde 1995 (lembram das previsões de Nora Paul feitas em 1995? :) Na minha dissertação de mestrado eu comentei cada uma delas].

Para saber mais sobre como foi o ISOJ, recomendo clicarem aqui: nohacefaltapapel

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